SAÚDE DOS OLHOS

A baixa iluminação do ambiente cria condições inadequadas.

Há tempos tablets e smartphones tornaram-se companheiros inseparáveis para quem não dispensa estar 100% do tempo conectado. Prova disso é que no Brasil foram comercializados 9,5 milhões de tablets e 54,5 milhões de smartphones ao longo de 2014, de acordo com a consultoria IDC. Entretanto, este novo hábito requer cuidados especiais, sobretudo no que diz respeito aos olhos, como explicou a professora doutora Keila Monteiro de Carvalho, médica oftalmologista e professora titular de Oftalmologia da Universidade de Campinas (Unicamp). "O uso inadequado destes tipos de aparelhos pode levar a desconforto, fadiga ocular e síndrome do olho seco".

Além disso, uma pesquisa realizada na Inglaterra com duas mil pessoas que utilizam seus tablets e smartphones por longos períodos revelou que a luminosidade azul-violeta vinda da tela destes aparelhos é potencialmente perigosa e tóxica à parte de trás dos olhos, podendo trazer a seus usuários um maior risco de degeneração macular, uma das principais causas de cegueira.
Acompanhe o que diz a médica Keila de Carvalho sobre a relação entre o uso de tablets e smartphones e a manutenção da saúde ocular:
Utilizar o aparelho por períodos muito longos
Segundo a oftalmologista, em relação aos problemas visuais pode-se considerar o cansaço visual resultante do uso contínuo e sem observação das necessidades ergonômicas. Além disso, estudos têm demonstrado que o uso prolongado de terminais de vídeo está associado a sintomas de cansaço visual e diminuição da taxa de piscamento, reduzindo a lubrificação ocular (síndrome do olho seco). "Uma maneira de reduzir este desconforto é, esporadicamente fazer um piscar voluntário, para diminuir os efeitos do olho seco", orientou a médica.
Velocidade de leitura
Keila de Carvalho explica que, embora tenha sido aceito que a leitura em telas eletrônicas é lenta e associada à fadiga visual, as pessoas - principalmente as mais jovens - estão mais propensas a utilizar esses dispositivos para leitura.
"Pesquisas mostraram que, em comparação com a leitura em telas eletrônicas, a leitura em papel é mais rápida e exige menos fixações por linha. Nesse caso seria de esperar efeitos diferenciais quando se compara o comportamento de leitura em e-Ink e LCD. Mas os estudos mostraram que nos dois tipos de displays (tablets com tela de tinta e os LCDs) a leitura sobre os dois tipos de exibição foi muito semelhante em termos de medidas subjetivas e objetivas", comentou. "A capacidade de adaptar o tamanho da fonte também pode abrir oportunidades de leitura novas para pessoas com deficiência visual ou baixa", acrescentou. No escuro: o sono não vem, você pega o tablet e começa a jogar, ver e-mail, fofocar nas redes sociais...quem nunca passou por uma situação dessa?


Isso pode cansar os olhos, como explicou a Keila de Carvalho: "A baixa iluminação do ambiente cria condições inadequadas de visualização e também pode causar fadiga ocular. O cansaço ocular pode ser atribuído a variações no estado de adaptação à luminância, que ocorre quando o leitor desloca o olhar de forma intermitente entre o monitor mais brilhante e o escuro ambiental".
Para melhorar esta situação, a sugestão da oftalmologista é aumentar um pouco a iluminação ambiente para minimizar as diferenças de adaptação do olho, reduzindo a fadiga visual. "Sugere-se iluminação ambiental entre 75-150 lux no caso dos LCDs típicos. O uso de LCDs com baixa refletividade e com maiores índices de luminância inerentes pode proporcionar melhoria das condições de visualização resultando em ergonomia nas leituras em videos", acrescentou a especialista.
Qual a melhor distância?
Segundo a doutora, a distância ideal para a visualização está relacionada à acuidade visual do usuário. "Para pessoas com visão normal recomenda-se que mantenha a distância confortável de 33 a 40 centímetros. No caso de quem usa óculos ou tiver baixa visão, a distância de visualização do vídeo vai depender dessas condições ópticas", orienta. Quanto à posição dos olhos em relação à tela, considera-se ideal a pessoa olhar ligeiramente para baixo, com ângulo de cerca de 20 graus.
Durante a atividade física: Muitas pessoas aproveitam o tempo na esteira ou na bike para ler e colocar a vida social (virtual) em dia, um grave erro na opinião da oftalmologista: "isso não é recomendado de maneira alguma, porque, além da pessoa não conseguir manter os olhos focados no objeto de leitura, também prejudica a postura, provando desconforto e dores. Não há benefício algum em ler durante a atividade física, ao contrário, este é um momento especial para o descanso mental".
Ler em veículos em movimento?
Certamente já ouviu dizer que o hábito de ler em veículos em movimento pode deslocar a retina, mas, segundo Keila de Carvalho, isso é um mito. "O descolamento da retina é uma doença ocular que ocorre por motivos de trauma, questões genéticas ou ainda por processos degenerativos, inflamatórios ou tumorais, a simples leitura não tem capacidade de provocar danos dentro do olho", explicou.
"Já a sensação de desconforto e enjoo provocados pela leitura em veículos em movimento ocorre por características pessoais e não ligadas ao tipo de leitura. Pode ocorrer tanto em leitura em papel como em tablets com telas de tinta ou LCDs, acrescentou a oftalmologista.
Telas em 3D
A visualização é próxima do real, mas as imagens produzidas podem levar a desconforto e fadiga visual, de acordo com a oftalmologista.
"O aumento recente do uso de displays estéreo (3D) tem sido acompanhado pela preocupação sobre os potenciais efeitos negativos associados à visualização prolongada destas imagens. Existem inúmeras fontes potenciais de efeitos adversos, mas uma das principais é o conflito da acomodação-convergência nos displays estéreos, que afeta o conforto visual, gerando astenopia (cansaço visual) após a visualização de telas 3D", explicou.
"A visualização em 3D estereoscópica proporciona maior imersão do leitor , mas também pode levar a sintomas de enjoo pelo movimento. Esse transtorno que pode ser reduzido se distância se ângulos de visão maiores forem adotados", completou a oftalmologista.

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